O Sétimo Apelo

Encolhida no epicentro cru da dor sem moral jogo cartas com uma velha senhora – negra esfinge contra quem não tenho forças. O prêmio: minha alma dilacerada. Perco o jogo.

A velha tem ainda uma exigência, quer o prêmio embrulhado em matéria viva. Vago entre as monumentais pedras ao meu redor. Elas se apoiam em outras pedras ainda maiores, não há terra, não há verde nem outra cor qualquer. Encontro uma ponta mal chanfrada pelo vento sem tempo, aperto contra ela meus pulsos cansados até que escorre um fluido viscoso, poluído de vícios e vírus. Embrulho. Entrego à vencedora, que ri até meu total ensurdecimento e vai-se embora.

Volto para casa, onde nada mudou e nem mudaria, sequer os ponteiros do relógio esquecido na parede.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: