Rotação de um sólido ou Fotoanálise da palavra orgânica

Silêncio. Silêncio de excessos e de faltas. Só o constrangimento inundando a sala fria, é dia, é dia de… morrer de novo, gastar outra das sete vidas, uma para cada dia da semana. Jogamos com tempos e espaços, esbarramos em contornos de móveis – imóveis – maciços, matéria robusta onde sedimenta a poeira do ar sufocante que entra e sai pela janela branca – aberta para o chão.

As mãos buscando um ponto qualquer, ponto de apoio, ponto de fuga – sem rumo definido. Os ruídos se confundem, carrossel girando veloz, roubando cores. E a busca da palavra mais precisa, mais expressiva, mais… qualquer palavra.

A experiência formatada em discurso – fugidia – buscando a si mesma, frustrada pelos elementos dissolvidos no tempo que se passou. Pares que se separam e se perdem na imensidão de possibilidades, ímpares, díspares. E um contador de histórias, rejeitado, empurra sua carroça pela cidade barulhenta. A tensão transbordando pelos poros, manchando a pele, carrega o ar que inebria se inspirado – expiro (meu prazo).

O desconforto do bêbado que não dorme formiga nas terminações nervosas – sensíveis. A vergonha da nudez ante a um público que não a admira corroendo de censuras a pele seca, se mostra viva, se impõem tal pai severo acreditando educar. As palavras mutiladas pela memória reticente furtam sentido às frases antes bem feitas. E as importâncias se alteram abrindo espaço a urgências que não o merecem.

Vacilante, improviso um era-uma-vez precipitado no caldeirão da minha história – sopa espessa e heterogênea, que queima os lábios de quem prova, trova (im)prevista e sem rima.

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Uma resposta to “Rotação de um sólido ou Fotoanálise da palavra orgânica”

  1. a confused man Says:

    —————————-divagações e delirios——————————-

    um sentimento recorrente: quando olho para mim, vejo uma daquelas pessoas que estava na roda gigante e, que por qualquer motivo olhou para fora da mesma e se perguntou o que aquelas pessoas estavam fazendo lá fora que não entravam.

    e eu decidi sair. E, como diz o ditado, você não pode voltar para casa.

    mas não me sinto como uma pessoa que deveria estar lá fora, estou por vontande de não pertencer a roda gigante, pois o ponto de vista mudou.

    mas eu continuo sendo uma daquelas pessoas de dentro da roda, um pouco mais iluminada, mas ainda longe de ser alguem de fora. e nao consigo buscar mais iluminação
    ——————————————————————————–

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