Só acendi a lareira com aquela esperança trêmula dos que buscam calor, não premeditei nada do que então já se esgueirava, sabe-se lá da onde – do acaso, da insanidade que me cabe. Mas aí parei – de escrever, claro. Que pouco adequado esse começo eco. Mas não tinha outro ou, melhor, tinha muitos, todos so(m)bras. Então deixei-me assim, às voltas com o incontornável, em pacíficos verbos de ligação, vendo a chuva molhar o que eu não quis proteger. Deitei-me e fingi cansaço, num velho ritual de quem se aproveita da insônia – mas ela, precisa, não cai em armadilhas. Adormeci nomeando as rachaduras na pintura do teto, nem tive tempo de lhes atribuir um passado – restou-lhes apenas um futuro: esperar que eu despertasse como sempre, pouco situada, olhasse pra elas com escasso interesse e logo me ocupasse de alguma outra coisa.

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2 Respostas to “”

  1. anônimo Says:

    uma mulher que dorme.

  2. Sangue da estirpe Says:

    Já me basta compartilhar um sorriso discreto e talvez um pouco dissimulado, além de uma dose daquela “graça” super difícil de explicar.

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