A Ilha de Páscoa e seus totens

A fé que professava não era a sua, meu bem. Naquela época difusa de lacunas silenciosas ou iradas. Hoje, nesse frêmito de dor sem medo. Naquela época de escusas indecisas; hoje, nesse dia claro de dor sem medo.

Aquilo tudo que eu não te dizia, meu bem, você sabe. Aquilo tudo que não te digo hoje, e você ainda sabe. Aquilo tudo que você conhece sem reconhecer, que você fareja sem desconfiar, que eu não digo – que provavelmente não direi nunca -, embora já não oculte.

Enquanto eu lavava com esmero a alma que se formou em algum lugar em mim, enquanto você alimentava a beleza andrógina de seguir um caminho pensado, enquanto decifrávamos mutuamente esses planos incompreensíveis, éle, algo se rompeu. Num ruído seco de fenda amortecida, algo se rompeu.

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Uma resposta to “A Ilha de Páscoa e seus totens”

  1. Dacyo Cavalcante Says:

    Gosto muito desse estilo misto de Woolf e Borges. Vou experimentar uns textos assim.
    Enquanto isso, sigo no nonsense raso mesmo: http://www.sertaoveredas.blogspot.com.

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