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novembro 26, 2013

Tem noites que são frias. Ainda que o mercúrio transborde dos termômetros, são geladas de um gelo que não volta a ser água. Tem noites que são densas, mesmos quando as vozes vizinhas são rarefeitas e animadas. Tem noites que são hoje.

Tem dias que terminam e dão lugar a noites frias, a noites fumacentas em becos bem decorados. Tem noites que são glaciais a despeito desse suor que nos escorre pela testa – e desce não se sabe pra onde. Tem noites em que só se treme, que são óbvias, laicas, e vem aos pares. Que se sucedem sem nunca terminar. Que esmorecem sem trazer alívio, num suspiro último que não chega a ser fim.

Tem noites que são transe com pouca terra, argila seca de lugar nenhum.

Noites de joia falsa, em que todo apoio é alça de malas que não se pode levar para onde não se pode mesmo ir. (Me empresta essas luvas que não sinto mais as mãos…). (São luvas de boxe, essas, é pra outro tipo de inverno que servem).