Tem noites que são frias. Ainda que o mercúrio transborde dos termômetros, são geladas de um gelo que não volta a ser água. Tem noites que são densas, mesmos quando as vozes vizinhas são rarefeitas e animadas. Tem noites que são hoje.

Tem dias que terminam e dão lugar a noites frias, a noites fumacentas em becos bem decorados. Tem noites que são glaciais a despeito desse suor que nos escorre pela testa – e desce não se sabe pra onde. Tem noites em que só se treme, que são óbvias, laicas, e vem aos pares. Que se sucedem sem nunca terminar. Que esmorecem sem trazer alívio, num suspiro último que não chega a ser fim.

Tem noites que são transe com pouca terra, argila seca de lugar nenhum.

Noites de joia falsa, em que todo apoio é alça de malas que não se pode levar para onde não se pode mesmo ir. (Me empresta essas luvas que não sinto mais as mãos…). (São luvas de boxe, essas, é pra outro tipo de inverno que servem).

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: