Archive for the ‘Elas, as palavras’ Category

abril 8, 2009

Mas era mesmo eu quem teimava em assegurar-te do incerto, interrompendo as pausas com adjuntos adverbiais conclusivos, inscrevendo o teu espaço na minha finitude exata enquanto você contribuía à continuidade precisa com o silêncio de um outro trago, com aquele afago longo a deslizar por meus cabelos negros, acompanhando com condescendência as ondas em teu modo terno de pedir-me não digas nada.

julho 30, 2008

Agora tudo é branco. Nem tanto de paz, mais de falta, mais de menos. Falta de uma frase com o sentido inequívoco de borrar essa alvura, macular o silêncio que ouço por toda a parte. Mas que frase poderia ser dita? Escrita?

Uma vodca, por favor.

Sem palavras pra dizer que

julho 6, 2008

Esperei até agora que ao menos uma – ao menos uma! – delas viesse até mim dizendo estou aqui, não importam as outras, as outras virão aos poucos, você sabe. Elas aparecerão quando você menos esperar, pense em mim, gaste o tempo que você desperdiça com tantas coisas banais e inúteis pensando e sentindo e ouvindo tudo o que tenho pra te oferecer. Não me recuse dessa vez, eu prometo guiar seus passos até a escuridão de onde sairão tantas outras e desfilarão pela sala e pela cozinha imunda esperando que você estenda sua mão de unhas roídas e as chame com carinho, com a urgência muda de quem já esperou tanto, e as conduza àquele lugar que só você conhece, cheio de cálculos misteriosos e aquela lógica incompreensível…. Não me rejeite, eu estou aqui enquanto as outras te abandonaram, vendo você assim, patética nesse pijama temático, implorando pelo que nem sabe se quer, fingindo que não pensa nelas enquanto mastiga distraída uma coisa qualquer recém saída do microondas, ou assiste um filme sem enxergar as legendas – e eu sei, eu bem sei que você já não enxerga muito longe como antes e por isso toca um pouco aflita todos os objetos à sua volta e vira a cabeça na direção de qualquer ruído, sem sequer se dar conta.

Vamos, admita, é por isso que você quer todas nós aqui, você quer ouvir o que não pode ver, mas não consegue admitir, isso é por demais humilhante pra quem se julga tão ágil e tão completa. Claro que a compensação é justa, fale muito, escreva muito por ver pouco, mas admita, caso contrário, elas nunca mais aparecerão. Me espalhe por sua pele como se não ansiasse pelas outras, seja minha como sou sua, e diga, cegueira, minha cegueira, você é tudo o que tenho.