Archive for the ‘Lanhados’ Category

VIII

outubro 27, 2008

Falho em qualquer isenção possível dessa primeira pessoa que grita ou sussurra por lábios descoloridos de burguesa mal adaptada (que encarno não sem orgulho – um pouco barulho sinalizando algo de incompreensível no esperado das horas, quando a lâmpada já é uniforme, amarela ou branca, estável nos watts prometidos pelo fabricante anônimo) Invento um garoto sentado sem contexto, só um assento vago testemunhando o peso que lhe afunda num adensar de espuma e mofo, ensaio suspenso pela chuva de granizo que caiu ontem sobre a cidade uma, uma mulher contemplativa em areia de cacos e estilhaços, sou eu, somos. tomos diversos da história invariante de

dançarinos na mesma coreografia esplendorosa me apontando com escárnio infantil de sósias amontoados no palco preparado a se debaterem em cálculos de espaço curto, afiados no desviar de corpos treinados pelo ritmo esguio concedido em troca de promessas de aplausos mecanicamente glamourosos, enquanto a estática (ou talvez o interromper da música) traduz o fim, o show acabou (.) deixando só uma lembrança imperfeita de impressões errantes, ancoragem débil de desatentos se disciplinando a mirar sempre à frente – como ensinam os mais preparados em seus rudimentos didáticos de afeto e poeira. Mais me encantam os bailados de improviso, conquista de movimentos a sintonizar ânsias por mais

Não

poderia prescindir da carne humana, é o que me preenche e representa nas fotografias urbanas dos sem tempo. Pra nada. Não. poderia enxergar pelas fendas enevoadas por cortinas prudentemente acinzentadas, a condenar curiosidades vãs do ócio prolongado, voyeurismo sem referência ou exemplificação de não história

que não posso narrar.