Archive for the ‘Microondas’ Category

agosto 2, 2009

Era assim então que eu me permitia, lasciva, impregnar-me de algo que era, em essência, ausência, uma recordação gasta por sóis e datas que eu rearranjava num puzzle de encaixes ambíguos,  inventava alguma continuidade quando só o que havia eram lacunas feitas de silêncio e espera.

março 12, 2009

Então é assim, é isso, é isso que é a solidão, o barulho opaco dum corpo único de encontro ao chão, é isso, os limites do espectro de uma mesma voz, o livro folhado – ou até lido – sem indicações, o alô na linha muda, o pulso constante, é isso, sair e voltar sem nada a ser dito, o corte inexorável, irremediável, o balanço das horas num jogo incompreensível de claro-escuro, um cerrar de portas tão arbitrário quanto definitivo, o eterno retorno ao mesmo lugar.

setembro 16, 2008

enquanto contemplo vaga todo o por fazer acumulando seco nas quinas lotadas eu não.

e só.

enquanto isso, em outros jogos…

agosto 8, 2008

Mesmo primando pela precisão dos movimentos – de peito ou costas, o que for – conservo o coração fragilizado dos estáticos e os pulmões miúdos dos aflitos. Assim, desobrigo-me de qualquer referência a hábitos mais salutares que o vício que você lê aqui: insisto no meu caça-palavras cotidiano. E só. Sem definição ou afogamento, simples empuxo sustentando o silêncio, almodóvar colorido no mute.

outubro 20, 2007

Por linhas imperfeitas – mal perfeitas – palavras aproximadas em garranchos aflitos – tentei dizer que eu. Não sou. Bem assim. Nem bem, tampouco assim. Há sim – talvez em mim. (Abandonada a palavra definitiva não nos resta precisão). Cogitei criar um personagem que falasse por mim – idéia nada original, me lembrei que já existe: leva meu nome e apresenta o meu corpo.

abril 1, 2007

O palpite estava errado: o átrio esquerdo improvisou um dó menor fora de compasso no blues do desconcerto.